Tecnologia do Blogger.
Mostrando postagens com marcador Fizeram Historia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fizeram Historia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fizeram Historia:Raul Seixas


Vamos falar do grande ídolo da música brasileira, Raul Seixas



O ano é 1945. O ano que soltaram a bomba atômica. Foi no dia 28 de junho que Raul Santos Seixas chegou neste planeta. Filho de Dona Maria Eugênia Santos Seixas com o engenheiro ferroviário Raul Varella Seixas, nascido na capital da Bahia, Salvador.

A vasta biblioteca do pai foi seu brinquedo preferido. Daí veio seu gosto pela literatura. Raulzito vivia trancado no quarto lendo o Livro dos Porquês ou inventando histórias fantasiosas que, transformados em gibis desenhados pelo próprio Raul, eram vendidos ao irmão Plínio.

Eu tinha dois ideais: ser cantor ou ser escritor. Esses dois ideais seguiram comigo paralelamente durante toda minha formação, que são a música e a literatura.

Em 1957, a família Seixas muda-se para uma casa vizinha ao consulado norte-americano. Ali, Raul teve contato com os garotos do consulado, que lhe emprestaram uns discos de Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry...

Eu ouvia os discos de Elvis Presley até estragar os sulcos. O rock era como uma chave que abriria minhas portas que viviam fechadas. O rock era muito mais que uma dança pra mim, era todo um jeito de ser. Eu era o próprio rock. Eu era James Dean, o 'Rebel Without a Cause'. Eu era Elvis Presley quando andava e penteava o topete. Eu era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir, que ninguém conhecia. Lá na Bahia eu estava na frente de todos em matéria do que estava acontecendo no mundo, com relação à música. Claro que eu não tinha consciência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo.

A escola foi ficando de lado. Raul preferia ficar na loja Cantinho da Música, curtindo o rock que chegava.

Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que eu aprendia era nos livros, em casa ou na rua. Repeti cinco vezes a 2ª série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola... Minto. Aprendi a odiá-la.


Raul andava de brilhantina no cabelo, camisas coloridas e blusão de couro. Sempre se encontrando com os amigos no Elvis Rock Club, fã-clube fundado por Raulzito em homenagem ao seu maior ídolo.

Eu frequentava o psicólogo do colégio, pois meus pais me achavam esquisito.

A necessidade de fazer rock levou Raul a fundar, em 1962, o grupo Relâmpagos do Rock, ao lado dos irmãos Décio e Thildo Gama. Em 1964, com nova formação, a banda passa a se chamar The Panters. É também o ano da profissionalização definitiva e da descoberta dos Beatles.

Foram os Beatles que me deram a porrada. Foi quando os Beatles chegaram e passaram a cantar as próprias coisas que eu vi, "pôxa, esses caras estão cantando realmente a vida, estão dizendo o que há pelo mundo, o que pensam. Então eu posso fazer a mesma coisa, dizer exatamente o que penso em minhas músicas". Foi quando eu comecei a compor, juntando tudo no meu caderninho.


Ainda no ano de 1964, a banda The Panters entra em estúdio para gravar aquela que viria a ser a primeira gravação oficial: duas músicas para serem lançadas em um compacto pela gravadora Astor. Mas as músicas jamais foram lançadas comercialmente.

Agora chamada de Raulzito e Seus Panteras, a banda compra aparelhagem nova e melhor, tocam em boates e nos shows em que brilhavam astros da Jovem Guarda paulista e carioca. A banda fazia sucesso em todo o estado e seus maiores rivais eram os grupos de bossa nova e samba. De um lado ficava a bossa nova do Teatro Vila Velha, do outro o rock and roll do Cinema Roma, templo do rock em Salvador.

A bossa nova significava ser nacionalista, ser brasileiro, eu me lembro perfeitamente. Gostar de rock era ser reacionário... entreguista, alienado. E eu era o chefe do rock em Salvador... tanto que quando entrei para a faculdade de Direito, eu era superpichado, torto pelo pessoal do diretório e olhado como o idiota do rock, entreguista. Eu não gostava de bossa nova. Tinha ódio de bossa nova. Eu não me ligava na cultura musical brasileira.


Raul, então, conhece a norte-americana Edith Wisner e apaixona-se por ela. O pai da garota, pastor protestante, não aceita o namoro da filha com um roqueiro vagabundo. Pressionado por Edith e pelos pais dela, Raul decide mudar de vida. Largou sua banda e retomou os estudos para ganhar a confiança do sogro. Em pouco tempo presta vestibular para a Faculdade de Direito e passa em um dos primeiros lugares.

Eu queria provar às minhas pessoas, à minha família, como era fácil isso de estudar, passar em exames. Como não tinha importância mínima.

Em 1967 casa-se com Edith. Em pouco tempo retoma a carreira com Os Panteras, a contragosto da família da esposa. Neste mesmo ano é descoberto por Jerry Adriani, estrela da Jovem Guarda, que convidou Os Panteras para ser sua banda de apoio. Então, Raulzito e Os Panteras partem para a Cidade Maravilhosa.

Chegamos ao Rio de Janeiro no final de safra. Não entendemos nada. De um lado os baianos, Gil e Caetano com a Tropicália, misturando tudo. Do outro pessoas como Jerry Adriani, Agnaldo Timóteo... gostei muito das músicas de Caetano e dos Mutantes.


Em 1968 é lançado pela Odeon o LP Raulzito e Os Panteras. Um fiasco comercial.

A gente não sabia como fazer. Tocávamos umas coisas complicadas, minhas letras falavam de agnosticismo, essas coisas.

Diante da situação, Os Panteras viram-se obrigados a se tornarem a banda de apoio de Jerry Adriani. Daí para a dissolução foi um passo. Depois de passar fome na Cidade Maravilhosa, Raul voltou para Salvador desiludido e psicologicamente abalado.

Raul Seixas seguia sua vida como um dito cidadão respeitável, dando algumas aulas de inglês e violão para ganhar a vida. Aprofundava-se cada vez mais em filosofia e psicologia, buscando respostas para suas perguntas. Em 1971, um novo chamado de Jerry Adriani o faz voltar para o Rio de Janeiro, agora para trabalhar como produtor da gravadora CBS. Cumpriu essa função, além de compor para Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Tonnie e Frankie, Trio Ternura, Diana e outros ditos astros da Jovem Guarda.

Os Beatles aprenderam em estúdio e eu também. Aprendi os macetes todos, aprendi a fazer música fácil, que diz direitinho o que a gente quer dizer. Eu já sabia que gostava de palco. Mas foi no Rio, com Os Panteras, que eu desisti mesmo de ser escritor. Vi que os sulcos dos discos levavam muito melhor o que eu queria dizer.

Raul Seixas agora era pai de família. O nascimento de Simone, sua primeira filha, veio completar sua vida segura e confortável. Trabalhando como executivo de uma grande multinacional, morando em um apartamento com sua esposa e filha. O que mais poderia pedir?


No entanto, não era essa a vida que ele queria. Raul tinha muito a dizer ao mundo e o seu desejo de fazer música sempre caminhou ao seu lado. Talvez por isso que, aproveitando seu alto cargo na CBS Discos, produziu o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez, com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, além do próprio Raul.

Neste disco cada um cantava suas músicas em faixas separadas, num trabalho que resumia bem o caos da época. Valeu a pena, apesar de ter vendido muito pouco. Foi também a primeira vez que eu fiz algo para ser consumido e do qual me senti paranoicamente orgulhoso e feliz.


O disco, feito sem o consentimento da gravadora, despertou a ira dos diretores da CBS. Logo desapareceu do mercado e Raul quase acabou desempregado.

No ano de 1972, Raul se interessa por um artigo sobre discos voadores publicado na revista A Pomba e decide conhecer seu autor, Augusto Figueiredo, na verdade um dos pseudônimos de Paulo Coelho. Desse encontro surgiu uma grande amizade.

Por incentivo do amigo Ségio Sampaio, Raul se inscreve no VII Festival Internacional da Canção, em setembro de 1972. A CBS lhe dá o ultimato: Ou opta pela carreira de produtor ou pela carreira de cantor. Raul foi atrás de seu grande sonho. Inscreveu no festival as músicas Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo, defendida por Lena e Os Lobos, e Let Me Sing, Let Me Sing, uma mistura de rock e baião defendida pelo próprio Raul. Ambas foram classificadas.

Até então, eu estava por detrás do disco. Precisava projetar minha música. Combinar o rock de Elvis com o baião, foi a fórmula certa para chamar a atenção. Mas foi apenas o começo.

O sucesso no festival garante a continuidade de sua carreira como cantor e compositor na Philips, onde realiza um sonho. Gravar um LP antológico de clássicos de Rock and Roll, Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock. O disco não levava o nome de Raul na capa. Mais tarde, em 1975, o disco foi reeditado com o nome 20 Anos de Rock, aproveitando a notoriedade de Raul.

Mas a explosão mesmo só viria com o compacto Ouro de Tolo. Uma letra autobiográfica e ao mesmo tempo um tapa na cara da classe média consumista naqueles tempos de Milagre Brasileiro. Estava aberto o caminho para o primeiro LP.

Krig-Ha, Bandolo! (que significa cuidado, aí vem o inimigo!) foi lançado em 1973 e é tido pela crítica como seu melhor trabalho, estando entre os 10 melhores álbuns brasileiros de todos os tempos segundo especialistas. Em algumas músicas de Krig-Ha, Bandolo!, Raul divide parceria com Paulo Coelho, mas os maiores sucessos do álbum são composições apenas de Raul Seixas, comoMetamorfose Ambulante, Mosca na Sopa e Ouro de Tolo.


A ditadura, burra e lenta, demorou a perceber o conteúdo explosivo do disco. Quando se deu conta, era tarde demais. Raul já havia se tornado um cantor consagrado. O Brasil só falava de Raul Seixas, e Raul Seixas só falava de disco voador e outras maluquices. Não foi levado a sério. Raul mudou o discurso, passou a falar da Sociedade Alternativa, onde a principal lei é Faze o que tu queres, pois tudo é da Lei! Raul anunciava em seus shows que era hora de mudar o mundo e distribuía um gibi/manifesto chamado A Fundação Krig-ha.

A Sociedade Alternativa era um movimento de pessoas para consigo mesmas, primeiro que tudo. É o egoísmo, mas o egoísmo no bom sentido. O egoísmo de você saber que é diferente de todo mundo e que todo mundo é diferente de você. É você ter sua própria identidade, fazer o que você quiser. E nada errado. Todo homem tem direito de mover-se pela face do planeta sem usar passaporte. Todo mundo tem direito de pensar o que quiser, todo homem tem direito de ver e de escrever o que ele quiser, porque você é diferente, você é a única coisa que você tem na vida. A sua própria vida é a única coisa que você tem, o resto você não leva nada. É o individualismo. Todo mundo embaixador do seu próprio país, vamos dizer assim.

A ideia da Sociedade Alternativa não agradou ao governo brasileiro. Os militares agiram. O DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) invadiu o apartamento de Raul procurando por provas. Raul Seixas e Paulo Coelho foram pressionados pela polícia política. Assustados, resolvem dar um tempo. Partem para um autoexílio nos Estados Unidos com Edith e Adalgisa, suas respectivas esposas. Na terra do Tio Sam, Raul tem um suposto encontro com John Lennon e Jerry Lee Lewis.


Enquanto isso, no Brasil, o LP Gita que Raul havia deixando pronto é lançado e faz um sucesso estrondoso. Vende 600 mil cópias e ganha Disco de Ouro. O Regime Militar se viu obrigado a trazer de volta o cantor que mais tocava nas rádios.

De volta ao país, Raul lança o clipe da música Gita, um marco na história da televisão em cores. O cantor baiano torna-se um dos mais populares do país. A Rede Globo encomenda a Raul Seixas e Paulo Coelho toda a trilha sonora da novela O Rebu. Raul estava mais forte do que nunca. Queria dominar o Brasil com sua Sociedade Alternativa, lendo em seus shows o pergaminho com os preceitos do Livro da Lei, do ocultista Aleister Crowley, para multidões de todo o Brasil.

Com o crescente sucesso, cresceu também o consumo de álcool e drogas. Raul estava se aprofundando no mundo das seitas secretas. Sua vida pessoal não vai tão bem quanto a profissional. Pelo contrário, o casamento de Raul com Edith chega ao fim e ela volta para os Estados Unidos levando a filha do casal, Simone. Logo Raul está com uma nova parceira, Gloria Vaquer, irmã do guitarrista Jay Vaquer.

Em 1975 Raul Seixas lança aquele que ele mesmo classificou como seu melhor trabalho, o LP Novo Aeon, que traz uma interpretação pessoal de Raul da obra de Aleister Crowley. Fato que desagradou Paulo Coelho, que estava se afastando das seitas esotéricas.

Este álbum é todo em cima do "Livro da Lei", que Aleister Crowley recebeu, ditado por um ser do Novo Aeon. Mas não é... apostólico. São simplesmente coisas que eu descobri e digo, porque tenho esses meios de dizer, sacar. Sou o cientista que faz a granada que o soldado lança pra explodir tudo... Não levei Aleister Crowley tão a sério não. Aliás, eu acho que é isso que ele queria. Tirei coisas dele pra mim, aproveitei.


Apesar de trazer músicas como Tente Outra Vez, Rock do Diabo, A Maçã, Para Nóia e É Fim de Mês, o LP não vendeu o esperado.

Como "Gita" vendeu 600.000 compactos, eles esperavam que "Novo Aeon" faturasse 600.001 e se programaram para isso. Aí vendeu só 40.000 discos, foi a maior decepção.

Em junho de 1976, no Rio, nasce a segunda filha de Raul, Scarlet. No mesmo ano é lançado o álbumHá 10 Mil Anos Atrás, no qual Raul aparece maquiado na capa, como se fosse um sábio ancião. Raul continua vendendo sua imagem de louco. Um sucesso de vendas.

Paulo Coelho não queria mais compor músicas para se dedicar a carreira de escritor. Por isso, pôs um ponto final na parceria com Raul, se afastou de vez das sociedades secretas e outros assuntos do Diabo. Raul seguia o caminho inverso. Não gostou do fim da parceria e culpou a Philips, sua gravadora, pelo ocorrido. Em meio a isso tudo, separa-se de Gloria Vaquer, que vai embora para os Estados Unidos levando Scarlet.

Raul Seixas deixa a Philips e vai para a recém-fundada WEA. Como não conseguia ficar sozinho, Raul começa um romance com Tânia Menna Barreto, que torna-se sua terceira companheira. Em 1977 lança o álbum O Dia Em Que A Terra Parou, título do filme que mais impressionou Raul na infância. O disco mostra os frutos da parceria de Raul Seixas e Claudio Roberto. Raul queria provar que poderia fazer sucesso sem Paulo Coelho, assim como em 1973. No entanto, a crítica não gostou de seu trabalho.

Agora sem barba, Raul ganha o apelido que o marcaria para sempre: Maluco Beleza. Seus shows, porém, não fazem sucesso devido às críticas ao LP. As mudanças em sua vida pessoal e profissional parecem tê-lo abalado e a isso se juntam os problemas de saúde. Viaja com Tânia Menna Barreto ao interior da Bahia para se recuperar da pancreatite que é agravada pelo consumo de bebidas alcoólicas.


Por intermédio da WEA, Paulo Coelho volta a compor com Raul Seixas. Tânia também divide parceria em seu novo álbum, Mata Virgem, lançado em 1978. A má divulgação atrapalhou o LP e a crítica também não ajudou.

Raul se afunda mais nas drogas, no álcool e na depressão. A situação tornou-se insustentável demais para que Tânia continuasse ao seu lado. Após perder Tânia, Raul perde quase metade do pâncreas.

Sem sucesso, sem mulher e sem saúde. Assim estava Raul quando lançou Por Quem Os Sinos Dobram, álbum pouco inspirado feito em parceria com o argentino Oscar Rasmussem. Outro fracasso. Depois disso, Raul rompe com seu antigo amigo da Philips e então presidente da WEA, André Midani, a quem acusa de não divulgar e escolher produtores inadequados para seus discos. Cresce aí sua reputação de artista difícil entre os executivos de gravadoras.


Ao deixar a WEA, leva consigo sua secretária de imprensa, Angela Costa (que se tornaria a famosa Kika Seixas), ex-namorada de Midani. Com o apoio de Kika, Raul tenta sair da lama. Volta a ser contratado pela CBS, dessa vez como cantor. Retoma a parceria com o amigo Claudio Roberto e lança o disco Abre-te Sésamo, com críticas mordazes a política da época. O álbum vende razoavelmente bem, mas menos do que merecia.

Raul Seixas estava de volta a boa forma. Decide morar em São Paulo e, com a ajuda de Jair Rodrigues, consegue alugar uma casa no bairro do Brooklin, zona sul da cidade, onde nasce a terceira e última filha de Raul, Vivian, em 1981. São Paulo o recebe de braços abertos e, em junho de 1981, faz uma temporada de shows no Teatro Pixinguinha com sucesso absoluto. Nessa época é procurado pelo jovem Sylvio Passos, que o comunica da existência do Raul Rock Club. Raul fica surpreso e participa daquele que ele mesmo chamaria de Raul Seixas Oficial Fã-Clube.


Ainda em 1981, rescinde o contrato com a CBS por pedirem que Raul dedique seu próximo álbum a Lady Diana, pois era o assunto do momento.

Sem gravadora, mas com um público enorme e fiel, Raul apresenta-se para mais de 180 mil pessoas, em 13 de fevereiro de 1982 no Festival Música na Praia, em Santos. Mas Raul andava triste e insatisfeito e mergulhava cada vez mais na bebida, o que leva ao cancelamento de shows e internações devido a crises de pancreatite. Em 1982, apresentou-se tão bêbado em Caieras, interior de São Paulo, que o público não acreditou que ele fosse o próprio Raul Seixas. Foi chamado de impostor e preso pelo delegado da cidade.

Deprimido, com problemas de saúde e ainda sem gravadora, Raul, juntamente com Kika, desenvolve o projeto de uma ópera-rock chamada Nuit e saem de porta em porta. Vão em todas as gravadoras, mas nada acontece. Chegam ao cúmulo de ouvir de um certo diretor artístico: Já estou vacinado contra Raul Seixas.

Magoado, Raul volta para o Rio de Janeiro e fica por lá alguns meses em um apartamento em Copacabana. Procura Paulo Coelho, dono da editona Sigma, para publicar o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor. Raul estava esquecido pela mídia e Paulo deu pouca importância para seu livro.

Venho engolindo meus sentimentos, minha arte, minhas emoções. Tem sido assustador! Estou profundamente magoado por não ouvir minhas músicas no rádio, nem ser chamado pra programas de televisão. Eles me esqueceram.


De São Paulo veio o chamado. Era João Lara Mesquita, jovem diretor do Estúdio Eldorado e fã incondicional de Raul, que resolveu realizar um velho sonho e convidou seu ídolo para gravar um LP. Raul volta pra São Paulo e, em abril de 1983 lança o álbum Raul Seixas. O disco traz uma faixa gravada ao vivo durante um show que Raul fez na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Coloquei o nome do disco apenas de "Raul Seixas" porque quase todos os meus trabalhos são feitos dentro de um ponto de vista filosófico, algo como se fosse uma faixa única, com todas as faixas concebidas dentro de um certo prisma. Esta já é uma coleção de momentos diversos que não fogem ao meu estilo, mas também não fecham uma concepção filosófica. Assim, pensei que neste disco não tinha nada para guruzar.

Também em 1983, Raul participa do musical infantil da Rede Globo Plunct-Plact-Zuuum com a música O Carimbador Maluco. Apesar de ser criticado e acusado de se vender ao Sistema, os fãs perceberam que a música levava uma mensagem anarquista às crianças. O sucesso da música, que depois foi incluída no LP, deu a Raul seu segundo Disco de Ouro. Raul Seixas estava de volta. Mais uma vez era sucesso em todo o Brasil.

Com o sucesso do disco e do livro lançados em 1983, Raul decide realizar um velho sonho: gravar um disco com músicas somente em inglês. Era o famoso Opus 666. Raul e Kika vão aos Estados Unidos para acompanhar de perto o que estava acontecendo musicalmente por lá. Raul aproveita para gravar a primeira metade de seu álbum. A outra metade, infelizmente, jamais seria gravada.

De volta ao Brasil e com muitas ideias, Raul assina contrato com a gravadora Som Livre e lança, em 1984, o LP Metrô Linha 743.

A música é toda preto e branco. Tudo madeira, vozes, só o baixo e o juno são eletrônicos. Há anos sonhava em fazer um disco assim. O colorido aprisiona a imaginação. O preto e branco é mais forte e livre porque dá asas a cada um de projetar a sua imaginação, de criar o que você sente sem se prender ao óbvio das cores impostas pelo colorido do mundo.

O álbum traz críticas aos militares, mas é pouco inspirado (traz duas regravações). Pouco antes do lançamento de Metrô Linha 743, o Estúdio Eldorado lançou o LP Raul Seixas Ao Vivo - Único e Exclusivo resultado do show que Raul Seixas fez na Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1983, contando a história do rock através de músicas.

A Eldorado me atravessou, colocou nas lojas esse disco ao vivo exatamente quando estava chegando o "Metrô Linha 743". Acabei fazendo concorrência comigo mesmo.


Raul também não se dá bem na Som Livre. Para piorar, seu penúltimo casamento se rompe. Sua nova companheira é Lena Coutinho. A saúde de Raul não anda boa. Mais uma vez ele volta a Salvador, como em 1978, para tentar se recuperar de sua pancreatite.

Em São Paulo, junto com Lena, Raul procura uma nova gravadora, mas as portas do mundo artístico parecem estar fechadas para o roqueiro. Enquanto isso, milhares de fãs e amigos de Raul permanecem na expectativa de novidades. Em São Paulo, no ano de 1985, o Raul Rock Club lança o álbum Let Me Sing My Rock And Roll, o primeiro e talvez único disco produzido e distribuído independentemente por um fã-clube brasileiro.

Em 1986, Raul e Lena continuam à procura de uma gravadora e, com a ajuda de Sylvio Passos, Raul consegue assinar contrato com a gravadora Copacabana, onde grava seu próximo álbum. Porém os problemas de saúde atrapalhavam as sessões de estúdio e o LP, que todos esperavam para 1986, acaba sendo lançado só no início de 1987. O disco traz como título o grito de guerra do Rock and Roll: Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!.

Eu fiz esse disco pros roqueiros ouvirem, para eles não deixarem o Rock and Roll morrer...


O disco é executado de norte a sul do país, e mais uma vez Raul é notícia, ocupando lugar de destaque nas principais mídias do país. Sua música está na boca do povo. Seu novo disco faz críticas a corrupção e a política, fala da violência e faz uma reflexão da própria carreira. A música Cowboy Fora-da-Lei estoura nas paradas de sucesso e é incluída na trilha sonora da novela das 7 da Rede Globo. O sucesso da música dá a Raul seu terceiro Disco de Ouro. Apesar de todo o sucesso, Raul continua recluso. Sumido dos palcos.


A convite do fã e amigo Marcelo Nova, então vocalista da banda Camisa de Vênus, Raul participa da gravação do álbum que o grupo preparava para lançar, dividindo vocais e parceria com Marcelo na música Muita Estrela, Pouca Constelação, onde referem-se ao cenário pop brasileiro de maneira debochada.

No ano de 1988, mostrando que ainda está vivo, Raul lança o LP A Pedra do Gênesis. O disco não faz o sucesso esperado. Raul separa-se de Lena e afunda-se na bebida e na depressão. É então que Marcelo Nova, para tirá-lo dessa situação, convida-o para viajar para Salvador, onde iria se apresentar. Raul que estava afastado dos palcos desde 1985, aceita o convite e voa com o amigo para Salvador e ali iniciam juntos uma série de 50 shows pelos quatro cantos do país. A aventura acabou resultando no LP A Panela do Diabo, que deu o quarto Disco de Ouro da carreira de Raul Seixas.


Era uma manhã de sol do dia 21 de agosto de 1989, segunda-feira, nove horas. Dalva Borges da Silva, empregada de Raul, chega ao apartamento n° 1003 do Edifício Aliança, zona central de São Paulo, e encontra Raul Seixas morto sobre a cama. Dalva imediatamente comunica o médico e a família de Raul. A notícia se espalha e logo as emissoras de rádio e TV divulgam o fato e milhares de fãs, amigos e jornalistas dirigem-se ao prédio onde Raulzito residia. Raul Seixas havia falecido duas horas antes da chegada de Dalva ao apartamento, de parada cardíaca causada pela pancreatite de que sofria há mais de uma década. O corpo é levado para o Palácio das Convenções do Anhembi e dali seguiu para Salvador, onde foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade.

Hoje fala-se muito de Raul Seixas. A grandeza de sua obra começa a receber a atenção que sempre mereceu. O número de fãs aumenta a cada dia e a obra de Raul Seixas, cada vez mais, parece ser eterna. Pois suas músicas sempre serão atuais, por mais que o tempo passe.


Fonte:Memorial Raul Seixas

Leia mais...

sábado, 28 de abril de 2012

Fizeram Historia:Vinicius de Moraes

Na nossa primeira matéria,vamos falar do grande Vinicius de Moraes !


Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Poeta essencialmente lírico, também conhecido como "poetinha", apelido que lhe teria atribuído Tom Jobim[4], notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso.
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. No campo musical, o poetinha teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.

Vida

Vinicius de Moraes nasceu em 1913 no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violinista amador, e Lídia Cruz, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos, Lygia (1911), Laetitia (1916) e Helius (1918). Mudou-se com a família para o bairro de Botafogo em 1916, onde iniciou os seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto, onde já demonstrava interesse em escrever poesias.[5] Em 1922, a sua mãe adoeceu e a família de Vinicius mudou-se para a Ilha do Governador, ele e sua irmã Lygia permanecendo com o avô, em Botafogo, para terminar o curso primário.
Vinicius de Moraes ingressou em 1924 no Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, onde passou a cantar no coral e começou a montar pequenas peças de teatro. Três anos mais tarde,
tornou-se amigo dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, com quem começou a fazer suas primeiras composições e a se apresentar em festas de amigos.
Em 1929, concluiu o ginásio e no ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito do Catete, hoje integrada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Na chamada "Faculdade do Catete", conheceu e tornou-se amigo do romancista Otavio Faria, que o incentivou na vocação literária. Vinicius de Moraes graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933.
Três anos depois, obteve o emprego de censor cinematográfico junto ao Ministério da Educação e Saúde. Dois anos mais tarde, Vinicius de Moraes ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford. Em 1941, retornou ao Brasil empregando-se como crítico de cinema no jornal "A Manhã". Tornou-se também colaborador da revista "Clima" e empregou-se no Instituto dos Bancários.
No ano seguinte, foi reprovado em seu primeiro concurso para o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Em 1943, concorreu novamente e desta vez foi aprovado. Em 1946, assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles. Com a morte do pai, em 1950, Vinicius de Moraes retornou ao Brasil. Nos anos 1950, Vinicius atuou no campo diplomático em Paris e em Roma, onde costumava realizar animados encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda.

No final de 1968 foi afastado da carreira diplomática tendo sido aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional Número CincoO poeta estava em Portugal, a dar uma série de espectáculos, alguns com Chico Buarque e Nara Leão, quando o regime militar emitiu o AI-5. O motivo apontado para o afastamento foi o seu comportamento boêmio que o impedia de cumprir as suas funções. Vinícius foi anistiado (post-mortem)pela Justiça em 1998. A Câmara dos Deputados brasileira aprovou em Fevereiro de 2010 a promoção póstuma do poeta ao cargo de "ministro de primeira classe" do Ministério dos Negócios Estrangeiros - o equivalente a embaixador, que é o cargo mais alto da carreira diplomática. A lei foi publicada no Diário Oficial do dia 22 de junho de 2010 e recebeu o número 12.265.
Vinicius começou a se tornar prestigiado com sua peça de teatro "Orfeu da Conceição", em 25 de setembro de 1956. Além da diplomacia, do teatro e dos livros, sua carreira musical começou a deslanchar em meados da década de 1950 - época em que conheceu Tom Jobim (um de seus grandes parceiros) -, quando diversas de suas composições foram gravadas por inúmeros artistas. Na década seguinte, Vinicius de Moraes viveu um período áureo na MPB, no qual foram gravadas cerca de 60 composições de sua autoria.
Foram firmadas parcerias com compositores como Baden Powell, Carlos Lyra e Francis Hime.
Na década de 1970, já consagrado e com um novo parceiro, o violonista Toquinho, Vinicius seguiu lançando álbuns e livros de grande sucesso.
Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes com Toquinho sobre as canções do álbum "Arca de Noé", Vinicius alegou cansaço e que precisava tomar um banho. Na madrugada do dia seguinte Vinicius foi acordado pela empregada, que o encontrara na banheira de casa, com dificuldades para respirar. Toquinho, que estava dormindo, acordou e tentou socorrê-lo, seguido por Gilda Mattoso (última esposa do poeta), mas não houve tempo e Vinicius de Moraes morreu pela manhã.

Carreira artística

O início :

No fim da década de 1920 Vinicius de Moraes produziu letras para dez canções gravadas - nove delas parcerias com os Irmãos Tapajós. Seu primeiro registro como letrista veio em 1928, quando compôs (com Haroldo) "Loira ou Morena", gravado em 1932 pela dupla de irmãos. Vinicius teve publicado seu primeiro livro de poemas, O Caminho para a Distância, em 1933, e lançou outros livros de poemas nessa década. Foram também gravadas outras canções de sua autoria, como "Dor de uma Saudade" (composta com Joaquim Medina), gravada em 1933 por João Petra de Barros e Joaquim Medina, "O Beijo Que Você Não Quis Dar" (composta com Haroldo Tapajós) e "Canção da Noite" (composta com Paulo Tapajós), ambas gravadas em 1933 pelos Irmãos Tapajós e também "Canção para Alguém" (composta com Haroldo Tapajós), gravada pelos mesmos um ano depois.
Ainda na década de 1930 Vinicius de Moraes estabeleceu amizade com os poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Em sua fase considerada mística, ele recebeu o Prêmio Felipe D'Oliveira pelo livro Forma e Exegese, de 1935. No ano seguinte, lançou o livro Ariana, a Mulher.
Declarava-se partidário do Integralismo, partido brasileiro de orientação fascista

Mudança de fase :

Na década de 1940 suas obras literárias foram marcadas por versos em linguagem mais simples, sensual e, por vezes, carregados de temas sociais. Vinicius de Moraes publicou os livros Cinco Elegias (1943), que marcou esta nova fase, e Poemas, Sonetos e Baladas (1946); obra ilustrada com 22 desenhos de Carlos Leão. Atuando como jornalista e crítico de cinema em diversos jornais, Vinicius lançou em 1947, com Alex Vianny, a revista Filme. Dois anos depois, publicou em Barcelona o livro Pátria Minha.
De volta ao Brasil no início dos anos 1950, após servir ao Itamaraty nos Estados Unidos, Vinicius começou a trabalhar no jornal Última Hora, exercendo funções burocráticas na sede do Ministério das Relações Exteriores.
Em 1953 Aracy de Almeida gravou "Quando Tu Passas Por Mim", primeiro samba de sua autoria. Escrita com Antônio Maria, a canção foi dedicado à esposa Tati de Moraes -e marcava também o fim do seu casamento. Ainda naquele ano, Vinícus foi para Paris como segundo secretário da embaixada brasileira. Aracy de Almeida também gravou "Dobrado de Amor a São Paulo" (outra parceria com Antônio Maria), em 1954.

Orfeu e o amigo Tom :

Em 1954, Vinícius publica sua coletânea de poemas, Antologia Poética,[10][11] mesmo ano que publica sua peça teatral Orfeu da Conceição, premiada no concurso do IV Centenário de São Paulo e publicada na revista Anhembi. Dois anos depois, quando Vinicius buscava alguém para musicar a peça, e aceitou a sugestão do amigo Lúcio Rangel para trabalhar com um jovem pianista, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, que na época tinha 29 anos e vivia da venda de músicas e arranjos nos inferninhos de Copacabana.[12]
Do encontro entre Vinícius e Tom nasceria uma das mais fecundas parcerias da música brasileira, que a marcaria definitivamente. Os dois compuseram a trilha sonora, que incluía "Lamento no Morro", "Se Todos Fossem Iguais A Você", "Um Nome de Mulher", "Mulher Sempre Mulher" e "Eu e Você" e foram lançadas em disco por Roberto Paiva, Luiz Bonfá e Orquestra. A peça estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Além destas canções, a dupla Vinicius e Tom compuseram, entre outros clássicos, "A Felicidade", "Chega de Saudade", "Eu sei que vou te amar", "Garota de Ipanema", "Insensatez", entre outras belas canções.
Entre 1957 a 1958, o diretor de cinema francês Marcel Camus filmou "Orfeu do Carnaval" no Rio de Janeiro, filme este que recebeu o nome de Orfeu Negro. Vinicius compôs para o filme "A Felicidade" e "O Nosso Amor". Um ano depois, o filme seria contemplado com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em 1957 teve sua carreira diplomática transferida para Montevidéu, onde permaneceu por três anos.

A Bossa Nova :

O ano de 1958 marcaria o início de um dos movimentos mais importantes da música brasileira, a Bossa Nova. A pedra fundamental do movimento veio com o álbum "Canção do Amor Demais", gravado pela cantora Elizeth Cardoso. Além da faixa-título, o antológico LP contava ainda com outras canções de autoria da dupla Vinicius e Tom, como "Luciana", "Estrada Branca", "Outra Vez" e "Chega de Saudade", em interpretações vocais intimistas.
"Chega de Saudade" foi uma canção fundamental daquela novo movimento, especialmente porque o álbum de Elizeth contou com a participação de um jovem violonista, que com seu inovador modo de tocar o violão, caracterizado por uma nova batida, marcaria definitivamente a bossa nova e a tornaria famosa no mundo inteiro a partir dali. O nome deste violonista é João Gilberto. A importância do disco "Canção do Amor Demais" é tamanha que ele é tido como referência por muitos artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso.
Várias das composições de Vinicius foram gravadas na metade final daquela década por outros artistas. Joel de Almeida gravou "Loura ou Morena" (1956). No ano seguinte, Aracy de Almeida gravou "Bom Dia, Tristeza" (composta com Adoniran Barbosa), Tito Madi gravou "Se Todos Fossem Iguais A Você", Bill Farr gravou "Eu Não Existo Sem Você", Agnaldo Rayol gravou "Serenata do Adeus" e Albertinho Fortuna gravou "Eu Sei Que Vou Te Amar". "O Nosso Amor" e "A Felicidade" foram duas das canções mais lançadas no final daquela década. A primeira foi gravada por Lueli Figueiró e Diana Montez, ambas em 1959. Já a segunda foi lançada por Lueli Figueiró, Lenita Bruno, Agostinho dos Santos e João Gilberto.
Servindo ao Itamaraty em Montevidéu desde 1957, Vinicius de Moraes deixaria a embaixada brasileira no Uruguai somente em 1960. Suas canções continuaram sendo gravadas por muitos artistas no início da década de 1960. Foram lançadas "Janelas Abertas" (composta com Tom Jobim), por Jandira Gonçalves, e "Bate Coração", (composta com Antônio Maria), por Marianna Porto de Aragão, cantora cultuada na época como uma das vozes mais poderosas de toda uma geração de cantoras .
Novas parcerias :
No ano seguinte, Vinicius registrou pela primeira vez sua voz, em um álbum contendo os sambas "Água de Beber" e "Lamento no Morro", novamente parcerias com Tom Jobim. O poeta teria também um novo parceiro naquele período, o cantor, compositor e violonista Carlos Lyra. Com ele, Vinicius iria compor clássicos como "Você e Eu", "Coisa Mais Linda", "A Primeira Namorada" e "Nada Como Te Amar". Ainda em 1961, o Teatro Santa Rosa foi inaugurado no Rio de Janeiro com "Procura-se uma rosa", peça de autoria de Vinicius, Pedro Bloch e Gláucio Gil - filmada depois pelo cinema italiano com o nome de "Una Rosa per Tutti" (o longa-metragem foi rodado no Rio e estrelado por Cláudia Cardinale).
Em 1962, a Banda do Corpo de Bombeiros fluminense gravou "Serenata do Adeus", um ano após gravarem "Rancho das Flores", marcha-rancho com versos do poeta sobre tema de Jesus, Alegria dos Homens, de Johann Sebastian Bach. Ainda naquele ano, enquanto "Canção da Eterna Despedida" (composta com Tom Jobim) "Em Noite de Luar" (composta com Ary Barroso) foram gravadas por Orlando Silva e Ângela Maria, respectivamente, Vinicius de Moraes publicou três livros: Antologia Poética, Procura-se Uma Rosa e Para Viver Um Grande Amor.
Com Pixinguinha, compôs a trilha sonora do filme Sol sobre a Lama, de Alex Vianny, escrevendo as letras para os chorinhos "Lamento" e "Mundo Melhor". Também naquele período, nasceu a parceria com o compositor e violonista Baden Powell. Desta, resultariam inúmeros sucessos, como "Apelo", "Canção de Amor", "Canto de Ossanha", "Formosa", "Mulher Carioca", "Paz", "Pra Que Chorar", "Samba da Bênção", "Samba Em Prelúdio", "Só Por Amor", "Tem Dó", "Tempo Feliz", entre outras.
Em agosto de 1962, com Tom Jobim, João Gilberto e o grupo Os Cariocas, Vinicius de Moraes participou de "Encontro", um dos mais importantes concertos da bossa nova e realizado na boate "Au Bon Gourmet", no Rio de Janeiro. Neste show, foram lançadas clássicos da música popular brasileira como "Ela é Carioca", "Garota de Ipanema", "Insensatez", "Samba do Avião" e "Só Danço Samba". Naquela mesma casa noturna foi montada "Pobre Menina Rica", mais uma peça do poeta, cuja trilha sonora trazia canções como "Sabe Você", "Primavera" e "Samba do Carioca" (lançando a cantora Nara Leão), ambas parcerias com Carlos Lyra. Ainda naquele ano, Vinicius comporia com Lyra "Marcha da Quarta-feira de Cinzas" e "Minha Namorada".
Várias daquelas seriam gravadas em 1963. Jorge Goulart gravou "Marcha da Quarta-feira de Cinzas", Elizeth Cardoso gravou "Mulher Carioca" e "Menino Travesso" (composta com Moacir Santos), Elza Soares gravou "Só Danço Samba", Pery Ribeiro e o Tamba Trio gravaram "Garota de Ipanema" e Jair Rodrigues gravou "O Morro Não Tem Vez" (composta com Tom Jobim).
Naquele mesmo período, Vinicius de Moraes lançou com a atriz Odete Lara seu primeiro álbum: Vinicius e Odete Lara. Com arranjos e regência do poeta Moacir Santos, o LP continha canções da parceria com Baden Powell, como "Berimbau", "Mulher Carioca", "Samba em Prelúdio" e "Só por Amor", entre outras. Ainda em 1963, o selo Copacabana lançou o álbum "Elizeth Interpreta Vinicius", contendo as parcerias do poetinha com Baden Powell, Moacir Santos (e arranjos deste), Nilo Queiroz e Vadico.
Retorno ao Brasil:
Em 1964 Vinicius retornou ao Brasil e logo se apresentou na boate "Zum Zum", ao lado de Dorival Caymmi, Quarteto em Cy e o Conjunto de Oscar Castro Neves. O concerto teve grande repercussão nos meios artísticos e foi lançado em LP pelo selo Elenco, contendo composições como "Bom-dia, Amigo" (parceria com Baden Powell), "Carta ao Tom", "Dia da Criação" e "Minha Namorada" (parcerias com Carlos Lyra), e "Adalgiza", "...Das Rosas", "História de Pescadores" e "Saudades da Bahia" (parcerias com o cantor, compositor e violonista Dorival Caymmi).
Duas canções de Vinicius de Moraes concorreram, em 1965, o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (da extinta TV Excelsior). "Arrastão" (composta com Edu Lobo), defendida por Elis Regina, ficou com o primeiro lugar, e "Valsa do Amor que Não Vem" (parceria com Baden Powell), defendida por Elizeth Cardoso, ficou com o segundo lugar. Também com o arranjador, cantor e instrumentista Edu Lobo, Vinicius compôs "Zambi" e "Canção do Amanhecer" - canções que se engajaram no clima de protesto da época e foram apresentadas em projetos do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Por um breve período, Vinicius foi designado para trabalhar na delegação do Brasil junto à UNESCO, na Europa. O poeta também trabalhou com o diretor Leon Hirszman no roteiro do filme Garota de Ipanema, voltou a se apresentar no Zum Zum com Dorival Caymmi e lançou o livro "Cordélia e o Peregrino".
Ainda em 1965, o Teatro Municipal de São Paulo foi o palco de uma homenagem para o poetinha, com o show Vinicius: Poesia e Canção, espetáculo que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (sob a regência do maestro Diogo Pacheco). As composições apresentadas receberam arranjos dos maestros Guerra Peixe, Radamés Gnattali, Luís Eça, Gaya e Luís Chaves e contou com intérpretes com Carlos Lyra, Edu Lobo, Suzana de Morais, Francis Hime, Paulo Autran, Cyro Monteiro e Baden Powell. Quando o poeta terminou a apresentação de "Se Todos Fossem Iguais A Você", a platéia respondeu com dez minutos ininterruptos de aplausos.Em 1966, foi lançado o álbum Os Afro-Sambas, com suas composições em parceria com Baden Powell. Constam do repertório do disco "Canto de Ossanha", "Canto de Xangô", "Canto de Iemanjá" e "Lamento de Exu", entre outras, além da participação de Powell tocando violão. Naquele mesmo período, Vinicius participou do concerto Pois É, no Teatro Opinião, ao lado de Maria Bethânia e Gilberto Gil. No espetáculo dirigido pelo arranjador, compositor, maestro e pianista Francis Hime, o público carioca conheceu pela primeira vez as canções de Gilberto Gil. Ainda naquele ano, lançou o livro de crônicas Para Uma Menina Com Uma Flor e também foi convidado a participar do júri do Festival de Cannes. Na ocasião, descobriu que sua canção "Samba da Bênção" havia sido utilizada, sem os devidos créditos, na trilha sonora do filme Um Homem e Uma Mulher, do diretor francês Claude Lelouch, vencedor do festival. Após uma ameaça de processo, a obra de Lelouch creditou a canção de Vinicius. O ano de 1967 marcou a estréia do filme Garota de Ipanema, baseado no sucesso homônimo de Vínicius. É a canção brasileira mais conhecida no mundo depois de "Aquarela do Brasil" (de Ary Barroso).[carece de fontes] Ainda naquele período, Vinícius organizou um festival de artes em Ouro Preto e excursionou para a Argentina e o Uruguai.
Aposentadoria compulsória:
Em 1968 Vinicius de Moraes participou de shows em Lisboa, na companhia de Chico Buarque e Nara Leão. Também naquele ano, a convite do crítico Ricardo Cravo Albin, Vinicius prestou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som (de onde era membro do Conselho Superior de MPB).
Mas o ano de 1968 marcou o fim da carreira diplomática de Vinicius de Moraes. Após 26 anos de serviços prestados ao MRE, Vinicius foi aposentado pelo Ato Institucional 5, criado pela ditadura militar brasileira, fato que o magoou profundamente. No dia em que o ato era editado, Vinicius encontrava-se em Portugal onde realizava um concerto. Após este espetáculo, estudantes salazaristas estavam aglomerados na porta do teatro para protestar contra o poeta. Avisado disto e aconselhado a se retirar pelos fundos do teatro, o poetinha preferiu enfrentar os protestos e, parando diante dos manifestantes, começou a declamar "Poética I" ("De manhã escureço/De dia tardo/De tarde anoiteço/De noite ardo"). Então, um dos jovens tirou a capa do seu traje acadêmico e a colocou no chão para que Vinicius pudesse passar sobre ela — ato imitado pelos outros estudantes e que, em Portugal, é uma forma tradicional de homenagem acadêmica.
Segundo entrevista publicada pela Revista Veja em 12 de janeiro de 2000 o ex-presidente João Figueiredo explicou as reais causas da demissão do poeta do Itamaraty: "Ele até diz que muita gente do Itamaraty foi cassada ou por corrupção ou por pederastia. É verdade. Mas no caso dele foi por vagabundagem mesmo. Eu era o chefe da Agência Central do Serviço e recebíamos constantemente informes de que ele, servindo no consulado brasileiro de Montevidéu, ganhando 6 000 dólares por mês, não aparecia por lá havia três meses. Consultamos o Ministério das Relações Exteriores, que nos confirmou a acusação. Checamos e verificamos que ele não saía dos botequins do Rio de Janeiro, tocando violão, se apresentando por aí, com copo de uísque do lado. Nem pestanejamos. Mandamos brasa."
A reabilitação ao corpo diplomático brasileiro só ocorreu trinta anos depois de sua morte por meio da Lei 12.265 de 21 de junho de 2010[13]. Em cerimônia no Palácio do Itamaraty, Vinicius de Moraes foi elevado ao cargo de ministro de exterior, cargo semelhante ao de embaixador[14].
Em 1969 Vinicius de Moraes publicou o livro Obra Poética e se apresentou ao lado de Maria Creuza e Dorival Caymmi em Punta del Este. O poetinha também fez recital na Livraria Quadrante, em Lisboa, apresentando, entre outros, os poemas "A Uma Mulher", "O Falso Mendigo", "Sob o Trópico de Câncer" (no qual trabalhou durante nove anos) e "Soneto da Intimidade". O evento foi gravado ao vivo e lançado em LP pelo selo Festa. Ainda naquele ano, Vinicius fez apresentações em Buenos Aires, ao lado de Caymmi, Baden Powell, Quarteto em Cy e Oscar Castro Neves.
Parceria com Toquinho :
Naquele mesmo período, iniciou suas primeiras composições com um novo parceiro, o violonista Toquinho. Desta parceria, viriam clássicos como "Como Dizia o poeta", "Tarde em Itapoã" e "Testamento".
Em 1970 Vinicius se apresentou na casa de espetáculo carioca Canecão, com o parceiro Tom Jobim, o violonista Toquinho e a cantora Miúcha. O show, que relembrou a trajetória do poeta, ficou quase um ano em cartaz devido ao grande sucesso obtido. Outra apresentação marcante de Vinícus de Moraes, ao lado de Toquinho e da cantora Maria Creuza, foi em a cidade argentina de Mar del Plata, na boate La Fusa. O concerto resultaria no LP ao vivo Vinicius En La Fusa, uma das mais belas joias gravadas ao vivo da música brasileira. No repertório, interpretado de modo espetacular pela cantora baiana, estavam entre outras "A Felicidade", "Garota de Ipanema", "Irene", "Lamento no Morro", "Canto de Ossanha" (canção muito aplaudida pela plateia argentina), "Samba em Prelúdio", "Eu Sei Que Vou Te Amar" (canção que contou ainda com a declamação do poetinha de "Soneto da Fidelidade", para delírio do público argentino), "Minha Namorada" e "Se Todos Fossem Iguais A Você", que encerrou o magnífico concerto. No ano seguinte, Vinicius voltou à Fusa para gravar um novo LP ao vivo, também com Toquinho, mas desta vez com a cantora Maria Bethânia nos vocais. Neste álbum estão presentes canções com "A Tonga da Mironga do Kabuletê",
"Testamento" e "Tarde em Itapoã". Também em 1971, assinou com Chico Buarque, sobre antigo choro de Garoto, a canção "Gente Humilde", grande sucesso gravada pelo próprio Chico e, pouco depois, por Ângela Maria.
A parceria Vinicius/Toquinho excursionou por várias cidades brasileiras e também pelo exterior. Ainda em 1971, a dupla lançou seu primeiro LP de estúdio, com destaque para "Maria Vai com as Outras", "Morena Flor", "A Rosa Desfolhada" e "Testamento". Em 1972, eles lançaram o álbum "São Demais os Perigos Dessa Vida", contendo - além da faixa-título - grandes sucessos como "Cotidiano nº 2", "Para Viver Um Grande Amor" e "Regra três". Com Toquinho, também compôs a trilha sonora da telenovela "Nossa Filha Gabriela" (da extinta TV Tupi), registrada em disco naquele mesmo ano. No ano seguinte, a dupla se apresentou no show "O Poeta, a Moça e o Violão", com a cantora Clara Nunes no Teatro Castro Alves, em Salvador.
Em 1974 Vinicius e Toquinho compuseram "As Cores de Abril" e "Como É Duro Trabalhar", ambas incluídas na trilha sonora da novela Fogo Sobre Terra, da Rede Globo. Naquele mesmo ano, a parceria lançou o álbum Toquinho, Vinicius e Amigos. O disco teve as participações de Maria Bethânia (em "Apelo" e "Viramundo"), Cyro Monteiro ("Que Martírio" e "Você Errou", últimas gravações deste cantor), Maria Creuza ("Tomara" e "Lamento no Morro"), Sergio Endrigo ("Poema Degli Occhi" e "La Casa") e Chico Buarque ("Desencontro"). Ainda naquele ano, a dupla lançou "Vinicius e Toquinho", quarto álbum de estúdio da parceria, que trazia composições de autoria deles, como "Samba do Jato", "Sem Medo" e "Tudo Na Mais Santa Paz", e ainda "Samba pra Vinicius", homenagem ao poetinha de Toquinho e Chico Buarque, que fez uma participação especial no disco.
Em 1975 Vinicius do Moraes lançou o álbum "O Poeta e o Violão". Gravado em Milão, o LP teve a participação especial dos maestros Bacalov e Bardotti. No mesmo ano, a gravadora Philips lançou o álbum "Vinicius e Toquinho". Deste LP, destaca-se "Onde Anda Você" - parceria com Hermano Silva e que alcançou grande sucesso. Ainda naquele ano, Vinicius lançou o livro de poemas infantis A Arca de Noé. Foram lançados em no ano seguinte os álbuns Ornella Vanoni, Vinicius de Moraes e Toquinho - La voglia, la pazzia, l'incoscienza e l'allegria e Deus lhe Pague - este com as composições da parceria Vinicius e Edu Lobo.
Vinicius teve publicado, em 1977, o livro O Breve Momento, com 15 serigrafias de Carlos Leão. Naquele ano, o selo Philips lançou o álbum "Antologia Poética", uma seleção da obra poética do poetinha e que teve a participação especial de Tom Jobim, Francis Hime e Toquinho. A gravadora Som Livre disponibilizou no mercado o LP Tom, Vinicius, Toquinho e Miúcha - Ao Vivo no Canecão. Em 1978 foi lançado o álbum Vinicius e Amália, gravado em Lisboa com a cantora portuguesa Amália Rodrigues. Naquele mesmo ano, foi editado o álbum "10 Anos de Toquinho e Vinicius" - uma coletânea de uma década de trabalhos da dupla. Em 1980 foi lançado o álbum Arca de Noé, que trouxe diversos intérpretes para as composições infantis do poeta, musicadas a partir do livro homônimo. O disco gerou um especial infantil na Rede Globo, naquele mesmo ano.
Morte :
Na madrugada de 9 de julho de 1980 Vinicius de Moraes começou a se sentir mal na banheira da casa onde morava, na Gávea, vindo a falecer pouco depois. O poeta passara o dia anterior com o parceiro e amigo Toquinho, com quem planejava os últimos detalhes do volume 2 do álbum "Arca de Noé". Em 1981, este LP foi lançado.
Mesmo após a morte, a obra musical de Vinicius manteve-se prestigiada na música brasileira. Foram lançados os álbuns Toquinho, Vinicius e Maria Creuza - O Grande Encontro (1988) e A História dos Shows Inesquecíveis - Poeta, Moça e Violão: Vinicius, Clara e Toquinho (1991), além de terem sido lançados livros sobre o poeta, como Vinicius de Moraes - Livro de Letras (1993), de José Castello, Vinicius de Moraes (1995), também de José Castello, "Vinicius de Moraes" (1997), de Geraldo Carneiro (uma edição ampliada do livro publicado em 1984). Ainda em 1993, Almir Chediak editou os três volumes do Songbook Vinicius de Moraes.Por ocasião dos vinte anos da morte do poeta, em 2000, a Praia de Ipanema foi o palco de um show em homenagem a Vinicius, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica Brasileira, Roberto Menescal, Wanda Sá, Zimbo Trio, Os Cariocas, Emílio Santiago e Toquinho, interpretando composições de sua autoria.
Em 2003, ano em que o poeta completaria seu 90º aniversário, foram lançados vários projetos em tributo à sua criação artística. Também foi lançado o website oficial de Vinicius.
Em 2005 "The Girl from Ipanema", versão em inglês de "Garota de Ipanema", interpretada por Astrud Gilberto, Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz e gravada em 1963, foi escolhida como uma das 50 grandes obras musicais da Humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano. Ainda em 2005, estreou, na abertura da sétima edição do Festival do Rio, o documentário Vinicius, dirigido por Miguel Faria Jr. e produzido por Suzana de Moraes, filha do poeta, com a participação de Chico Buarque, Carlos Lyra, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Mariana de Moraes e Olívia Byington, entre outros convidados. A trilha sonora do filme foi lançada em CD.
Em 2006 foi lançada a caixa "Vinicius de Moraes & Amigos", com cinco álbuns do poetinha, contendo 70 canções compiladas de fonogramas gravados por vários intérpretes e pelo próprio Vinicius (solo ou em dueto. A caixa incluiu ainda um livreto com a biografia do homenageado e as letras de todas as canções.
Em 2011 a escola Império Serrano falou sobre ele com o enredo : "A Benção, Vinicius".

Fonte:Wikipédia

Leia mais...

  ©Redação de um aprendiz - Todos os direitos reservados.

Template by Template Para Blogspot | Topo